Archive for Março 27th, 2008
Uma breve introdução histórica
Squirra, em seu livro Jornalismo Online, publicado em 1998, expõe uma definição interessante do conceito de digital: “Um sinal que pode tanto ser ‘off’ quanto ‘on’ e representado pelos números zero e um. Sinais digitais podem ser transmitidos mais rápidos e são mais fáceis de operar que aqueles analógicos. Sinais digitais podem ser convertidos para digitais, permitindo a representação de todos os tipos de informação inclusive música e vídeo.” (SQUIRRA, 1998, pp34).
Nesta definição, já se pode verificar a característica multimidiática que a internet iria nos propor. Sim. Falar isso hoje, dez anos depois dos vaticínios dos estudiosos, quando o jornalismo passou a perceber a necessidade de tornar-se acessível também no ciberespaço e quando a migração dos telespectadores e ouvintes se deram ao mesmo tempo em que o acesso à internet se popularizava beira o simplismo. Mas, ainda assim, vale discorrer,de maneira sintética, sobre a história dos jornais digitais e os atuais “conflitos” que podemos constatar.
Em 28 de maio de 1995, a versão eletrônica do Jornal do Brasil entrou no ar. Em seqüência, o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, O Globo, O Estado de Minas, A Zero Hora, O Diário de Pernambuco e o Diário do Nordeste também adentraram no ciberespaço. Até então, nenhum deles, com exceção do JB que começou a fomentar o site permanentemente em janeiro de 1996, atuava com a noção de tempo real. O Universo Online, também em 1996, lançou o Brasil Online, primeiro jornal em tempo real, em língua portuguesa, da América, Latina, com informações fornecidas pelas agências de notícias, como a Folha, a Reuters e a Associated Press, e material apurado e produzido pela própria redação.
A partir daí, os portais de notícias foram surgindo e estruturando-se gradativamente, adaptando-se aos novos leitores, descobrindo novas ferramentas e atendendo a demanda do internauta: suprir a necessidade de informação factual de forma rápida e interativa. O site provedor de Internet Grátis, em 2000, colocou na rede o Último Segundo, primeiro jornal estritamente online no Brasil, cujo principal objetivo é fornecer as notícias em tempo real
Seguindo essa linha, outros sites como o G1 e o Terra Notícias, não derivados do jornalismo impresso, são dignos e talvez até carentes de observações e análises que abordem os mais diversos aspectos.
Matérias sucintas, por vezes até demais, com erros ortográficos, e informações contraditórias, são postadas com freqüência. A falta de contextualização das notícias não proporciona ao usuário uma leitura de fácil compreensão, as informações parecem desconexas.Para amenizar esse efeito o uso dos hiperlinks leva o leitor a notícias anteriores àquelas, afim de que este entenda melhor o desenrolar dos fatos.Outro característica peculiar é o fato dos textos serem norteados pela perspectiva do tridimensional, isto é, redigidos com a idéia de que terão apoio audiovisual, bem como de infográficos e até galerias de fotos. As chamadas suítes no jornal impresso têm uso rotineiro nos sites de notícias. A velocidade como fetiche, colocada por Sylvia Moretzsohn, nascida nas redações dos jornais impressos, é acentuada na prática do jornalismo digital. A agilidade em detrimento da densidade do conteúdo.
Já existem muitos estudos referentes a essa categoria, mas não o suficiente para consolidar uma sistemática de produção jornalística digital. Trabalhos sobre a percepção do leitor-internauta e manuais de redação para o jornalismo da web, alguns baseados nos manuais de redação dos jornais impressos, começam a despontar no ambiente acadêmico e ganhar atenção especial daqueles que atuam na área. Porém, a própria escassez de tempo do profissional deste segmento dificulta o investimento em especializações e um dispêndio de atenção a essas investigações.
É como cita Leão Serva, no prefácio do livro Guia de Estilo e Web, de autoria de Luciana Moherdaui: “Enquanto pululam os manuais de redação para imprensa convencional o surgimento de uma empresa rigorosa ainda espera um conjunto de procedimentos que consolide as diversas novidades impostas pelas características dos novos meios e, ao mesmo tempo,aponte aquilo que, por ser essencial à atividade jornalística, permanecerá nestes novos meios.”
O nosso objetivo, aqui neste espaço, é tentar cumprir esta tarefa: analisar, se possível com apoio teórico, as variadas maneiras como o jornalismo digital tem se apresentado e trazer artigos e outros estudos ou pelo menos citá-los afim de que o nosso olhar, sempre atento, ganhe ainda mais precisão.
Referência bibliográfica:
MOHERDAIU, Luciana.Guia de estilo e web:produção e edição de notícias online.São Paulo: Senac, 2000.
SQUIRRA, Sebastião. Jornalismo online.Saõ Paulo: Arte e Ciência, 1998.